Cavalos e Suas Origens: Lavradeiro — O Único Cavalo Selvagem do Brasil
Cerca de 3.150 cavalos vivem soltos no lavrado de Roraima, sem dono e sem manejo. A única população feral do Brasil, e o que a ameaça hoje.
Cerca de 3.150 cavalos vivem soltos no lavrado de Roraima, sem dono e sem manejo. A única população feral do Brasil, e o que a ameaça hoje.

É feral: descende de animais domésticos que escaparam e voltaram à vida selvagem. Biologicamente é a mesma espécie que qualquer cavalo doméstico, mas vive sem intervenção humana há séculos. Os pesquisadores preferem o termo "asselvajados" a "selvagens": não é uma espécie selvagem original, é uma espécie doméstica que voltou ao estado livre.¹ ²
A estimativa da Embrapa, com base em dados de 2016, é de cerca de 3.150 animais com características fenotípicas do lavradeiro em Roraima. Segundo levantamento da FAO citado pelo pesquisador Ramayana Braga da Embrapa, essa população está classificada em perigo de extinção. O número está em queda por mestiçagem, perda de habitat e abandono da criação tradicional.¹
Porque não existe associação de criadores com padrão racial estabelecido nem registro genealógico — requisitos do MAPA para reconhecer uma raça equina. O Documentos 65 da Embrapa identifica a criação de uma associação como a estratégia mais urgente para a conservação da raça.¹
Não. São raças distintas, formadas em biomas diferentes por processos parecidos: cavalos ibéricos que chegaram com a colonização e foram moldados pelo ambiente. O Pantaneiro foi reconhecido pelo MAPA e tem associação de criadores desde 1972. O lavradeiro ainda não tem nenhum dos dois.¹
Sim. Os animais capturados podem ser domados, e os criadores tradicionais de Roraima usam exemplares lavradeiros para manejo de gado. O tipo com maior influência do Puro Sangue Inglês é historicamente associado a corridas na região.¹
É uma das perguntas que mais intriga os pesquisadores da Embrapa. A resposta está na seleção natural de séculos: os animais que não conseguiam sobreviver com a pastagem nativa de baixo valor nutritivo não deixaram descendentes. Os que ficaram desenvolveram metabolismo eficiente o suficiente para converter o "fura-bucho" em energia de alto desempenho. É genética construída pelo ambiente, não por criadores.¹ ²