Cavalos Famosos: Clever Hans — Por Que a IA Acerta Como um Cavalo de 1904
Em 1904 um cavalo resolvia contas em Berlim batendo o casco. Acertava 29 de 31, mas só quando o humano sabia a resposta. O mesmo acontece com a IA.
Em 1904 um cavalo resolvia contas em Berlim batendo o casco. Acertava 29 de 31, mas só quando o humano sabia a resposta. O mesmo acontece com a IA.

Clever Hans, em alemão der Kluge Hans, era um trotador Orlov preto que ficou famoso em Berlim por volta de 1904 por aparentemente resolver contas de aritmética, soletrar palavras e informar datas e horas batendo o casco no chão. O dono, Wilhelm von Osten, professor de matemática aposentado, acreditava tê-lo ensinado a pensar. O caso foi explicado pelo psicólogo Oskar Pfungst entre 1904 e 1907. ⁶ʼ¹
É o nome que a ciência deu ao fenômeno em que um sujeito parece resolver um problema mas na verdade responde a uma pista acidental que acompanha a resposta certa. Por causa do cavalo de von Osten, testes de cognição animal passaram a ser feitos às cegas, e desde 2019 o termo é usado em inteligência artificial para programas que acertam porque encontraram nos dados uma coincidência que não tem nada a ver com a tarefa.⁵ʼ²
Von Osten morreu em 29 de junho de 1909 e legou o cavalo a Karl Krall, ourives de Elberfeld, que recusou a conclusão de Pfungst e montou ali um laboratório animal. Krall encerrou o trabalho em 1916 e os cavalos foram requisitados para o serviço de guerra. O que houve com Hans depois disso não é conhecido.⁷ʼ⁴
São aparentados. O efeito Clever Hans descreve o caso específico em que um animal ou pessoa responde a pistas involuntárias de quem conduz o teste. O viés do experimentador é o conceito mais amplo, em que a expectativa de quem aplica o teste contamina o resultado sem intenção. A solução é a mesma nos dois casos, o teste cego ou duplo-cego.⁵