Cavalos e Suas Origens: Exmoor — A Raça Mais Antiga da Grã-Bretanha que Quase Desapareceu na Segunda Guerra

O pônei Exmoor é uma das raças equinas mais antigas da Grã-Bretanha. Sobreviveu à Segunda Guerra com apenas 50 animais — e ainda existe hoje.

Cavalos e Suas Origens: Exmoor — A Raça Mais Antiga da Grã-Bretanha que Quase Desapareceu na Segunda Guerra
Pônei Exmoor nas colinas do moorland britânico — as marcações claras ao redor do focinho são uma das características mais reconhecíveis da raça
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No outono de 1945, quando a guerra terminou, alguém fez a contagem dos pôneis que restavam nas colinas de Exmoor. O número era 50. Dez anos antes havia 500. A guerra havia feito o resto: donos combatendo longe, porteiras abandonadas, tropas usando os animais como alvo de tiro, moradores das cidades vizinhas levando pôneis para se alimentar durante o racionamento. Em 1948, dois pôneis foram enviados ao Zoológico de Londres para chamar atenção do público para o que estava acontecendo.
~2.000Exmoors no mundo hoje
50Restavam em 1945
Em riscoStatus de conservação (RBST)
O Pônei Exmoor, em inglês Exmoor pony ou simplesmente Exmoor, é uma raça equina nativa das colinas de Exmoor, no sudoeste da Inglaterra, considerada a mais antiga da Grã-Bretanha. Pequeno e robusto, com garanhões chegando a no máximo 130 cm na cernelha, é o único pônei das ilhas britânicas que não aceita marcações brancas no padrão racial.¹ ²

Com aproximadamente 2.000 exemplares no mundo, é classificado como em risco ("Endangered", Categoria 2) pelo RBST, o Rare Breeds Survival Trust, a organização britânica dedicada à preservação de raças domésticas ameaçadas. Menos de 500 vivem no próprio Exmoor.² ⁴

Uma origem que se perde no tempo

O Exmoor é provavelmente a raça equina mais antiga da Grã-Bretanha, e parte de sua história precede qualquer registro escrito. De acordo com a hipótese científica mais aceita, os primeiros cavalos selvagens chegaram à ilha há cerca de 130 mil anos. 
Os pôneis que eventualmente se estabeleceram nas colinas de Exmoor teriam sido isolados ali pelas mudanças climáticas que ocorreram por volta de 9.600 anos atrás, quando as pastagens abertas foram cedendo espaço para florestas e os rebanhos sobreviventes se refugiaram nas terras altas.¹

A formação do Canal da Mancha, estimada em torno de 5.500 a.C., teria completado esse isolamento, separando esses animais do continente europeu por milênios.
Nota sobre a origem pré-históricaEssa continuidade entre os pôneis pré-históricos e o Exmoor moderno é uma hipótese bem fundamentada, não uma certeza. A própria Exmoor Pony Society a descreve como provável. Estudos genéticos mostram que equinos desapareceram completamente do registro arqueológico das ilhas britânicas no final do Mesolítico, período pré-histórico que vai de cerca de 10.000 a 5.000 a.C., imediatamente anterior ao surgimento da agricultura. Isso significa que os Exmoors modernos descendem de cavalos domésticos introduzidos pelos Celtas, não de uma linhagem ininterrupta de animais selvagens. O que é verificável é a estabilidade de tipo ao longo de séculos, que sugere isolamento genético prolongado.
Os primeiros registros do uso desses pôneis pelo homem surgem na época dos Celtas, povos que habitavam a Grã-Bretanha antes da conquista romana, por volta de 600 a.C. Evidências arqueológicas indicam que animais semelhantes eram usados para puxar carros de combate.¹

O Domesday Book e a Floresta Real

Os primeiros registros escritos de pôneis em Exmoor aparecem no Domesday Book de 1086. O Domesday Book foi o grande censo territorial encomendado por Guilherme, o Conquistador, o rei normando que invadiu a Inglaterra em 1066, com o objetivo de mapear todas as propriedades e recursos do reino.¹

O documento menciona "cavalos florestais" e "cavalos não domados" pertencentes aos manores, as propriedades rurais da nobreza medieval inglesa, que bordejavam a Floresta Real de Exmoor.
Em 1066, Exmoor havia sido designada Floresta Real — não uma floresta no sentido moderno, mas um território de caça e pastagem reservado à Coroa inglesa, administrado por um funcionário chamado Guarda.

Havia éguas, as fêmeas, nativas e cruzadas no moor, mas apenas o Guarda mantinha garanhões, os machos usados para reprodução. Os registros indicam que esses eram animais nativos puros.

Esse detalhe explica por que o tipo original não se perdeu ao longo de 750 anos de administração real: o controle sobre a reprodução estava nas mãos de uma única autoridade, e essa autoridade priorizou a pureza.
Os agricultores locais que trabalhavam para o Guarda eram conhecidos como Free Suitors. Uma de suas obrigações era reunir os pôneis várias vezes por ano para que seus donos pagassem as taxas devidas à Coroa. É o ancestral direto do gather outonal que existe até hoje.

Em 1652, a Floresta Real foi vendida a James Boevey. Isso aconteceu durante o governo de Oliver Cromwell, o líder puritano que assumiu o poder após a execução do rei Carlos I em 1649 e sob o qual a monarquia inglesa foi temporariamente abolida.¹

Com a restauração da monarquia em 1660, a Floresta voltou à Coroa. Em 1818, após 750 anos como propriedade real, foi vendida ao industrial John Knight.

1818: a venda que quase destruiu a raça

Quando a Floresta Real foi vendida em 1818, o Guarda de saída, Sir Thomas Acland, retirou 30 pôneis de sangue puro antes de deixar o cargo. Esse rebanho ficou conhecido como Rebanho Acland, hoje chamado de Rebanho Anchor, que ainda pasta em Winsford Hill, uma das colinas mais abertas do moor.¹

Agricultores de Withypool e Hawkridge, duas pequenas comunidades rurais dentro da região, também compraram animais e fundaram seus próprios rebanhos.
Vários desses rebanhos originais ainda existem hoje: os de número 1, 10, 12, 23 e 44. São eles os responsáveis pela existência do Exmoor moderno.

John Knight, o novo proprietário, tentou melhorar os pôneis por meio de cruzamentos com outras raças. Teve algum sucesso temporário.

O rebanho acabou morrendo. Os pôneis cruzados perderam a rusticidade que era exatamente o que tornava o Exmoor capaz de sobreviver no moorland, as terras altas cobertas por vegetação densa de urze, gramíneas duras e juncos, expostas ao vento e à chuva durante a maior parte do ano.

É uma lição que os criadores da raça citam até hoje quando discutem o perigo dos cruzamentos.
Antes da chegada dos tratores, na primeira metade do século XX, o Exmoor era o veículo todo-terreno dos agricultores das colinas: servia para pastoreio, cultivo e transporte, sob sela e puxando carroças. Carros com rodas só chegaram a Exmoor na década de 1830. 

Os potros, os filhotes nascidos a cada ano, eram a principal fonte de renda extra dos agricultores, vendidos todo outono para famílias que queriam pôneis de família ou montaria para crianças.¹

A fundação da Sociedade e o stud book

Nos anos 1930, os pôneis de Exmoor eram muito procurados como montarias para crianças. Parte dessa popularidade vinha dos livros da escritora conhecida pelo pseudônimo "Golden Gorse", que nas décadas de 1920 e 1930 publicou histórias infantis protagonizadas por pôneis do moor, tornando o Exmoor familiar para famílias urbanas britânicas que nunca haviam visitado a região. Havia cerca de 500 pôneis na região.¹

Em 1921, os criadores que haviam mantido os rebanhos originais reuniram-se no Lion Inn, em Dulverton, a principal cidade de mercado próxima ao moor, localizada no vale do rio Barle, e fundaram a Exmoor Pony Society. O objetivo era criar um stud book, o registro genealógico oficial da raça, registrar os animais de sangue puro e resistir à moda dos cruzamentos que haviam destruído o rebanho de John Knight um século antes.¹
O stud book foi fechado em 1962. Desde então, apenas pôneis cujos dois pais estejam registrados são elegíveis para registro, determinação estabelecida por legislação do governo britânico.¹ ⁵

O fechamento garantiu a integridade genética da raça. Mas criou um desafio permanente: com população pequena e pool genético, a reserva total de material genético disponível na raça, limitado, cada acasalamento precisa ser planejado para evitar consanguinidade, o cruzamento entre animais aparentados que reduz a diversidade genética e pode causar problemas de saúde nas gerações seguintes.

A guerra e os Exmoor Mounties

Em 1940, foi formado o grupo dos "Exmoor Mounties". Era o único destacamento da Guarda Doméstica britânica, a força de defesa civil criada durante a Segunda Guerra, a patrulhar a cavalo.¹

A escolha do Exmoor não foi por acaso: eram os únicos animais que conheciam o terreno do moor com confiabilidade suficiente para operações noturnas.

Ao final da guerra, em 1945, restavam cerca de 50 pôneis no moor. As fontes divergem ligeiramente sobre o número de garanhões reprodutores sobreviventes: entre 2 e 6, dependendo da fonte consultada. O que não diverge é a gravidade da situação: uma queda de 90% em dez anos, com a reserva genética da raça inteira concentrada em menos de uma dezena de machos.¹ ⁴ ⁵
Mary Etherington foi a figura central da reconstrução. Reuniu os criadores remanescentes e garantiu que cercas de gado restaurassem as fronteiras seguras dos commons, as terras de uso coletivo compartilhadas por diferentes criadores, tradição jurídica britânica que existe desde a Idade Média.³

Em 1950, foi para Edimburgo com seus pôneis e começou a trabalhar com o pesquisador James Speed no Royal Scottish Museum, o museu nacional escocês.

As pesquisas dos dois documentaram a importância histórica e genética da raça e estabeleceram a base científica para os programas de conservação. Eles casaram-se em 1953.

Como é o Exmoor

O Exmoor é pequeno, mas não frágil. Carrega um adulto de pequeno porte com desenvoltura, o que surpreende quem o vê pela primeira vez. A relação entre tamanho e força é uma das características mais documentadas da raça.¹ ²
Altura114 a 130 cm na cernelha, com máximo de 127 cm para éguas e 130 cm para garanhões. A cernelha é a altura medida do chão até o ponto mais alto das costas, logo atrás do pescoço.
PelagemCastanho, baia e alazã-acinzentada. Sem marcações brancas, o que é único entre os pôneis das ilhas britânicas. Qualquer marca branca desqualifica o animal para registro.
Marcações mealyA coloração creme-avelã ao redor do focinho, dos olhos e dos flancos é chamada de mealy. A pigmentação ao redor dos olhos, chamada de "olho de sapo" pelos criadores, é um dos critérios obrigatórios de inspeção para registro no stud book. É uma característica primitiva, presente também em outros equinos de origem antiga.
Pelo de invernoDenso, com duas camadas: uma isolante interna e uma externa graxenta e quase impermeável que direciona a água para fora do corpo. A neve se acumula no dorso dos Exmoors sem derreter, porque o isolamento é tão eficiente que quase nenhum calor corporal escapa.
DentesA conformação dental específica do Exmoor permite pastar vegetação dura que outros animais recusam, incluindo os talos grossos de plantas do moorland. Isso é uma das razões pela qual o Exmoor é usado em programas de pastoreio de conservação.
TemperamentoAnimais semi-selvagens são desconfiados com estranhos, o que exige trabalho de socialização. Exmoors domesticados desde jovens são dóceis e de fácil manejo. Inteligentes e com boa memória.

O Exmoor como guardião da paisagem

Uma das histórias mais relevantes das últimas décadas é o papel crescente do Exmoor na conservação ambiental britânica. Ao pastar sobre vegetação densa de moorland, os pôneis abrem espaço para plantas mais delicadas crescerem, criando maior biodiversidade. Essa função, chamada de pastoreio de conservação, tornou o Exmoor economicamente valioso de uma forma que não existia antes da preocupação ambiental dos anos 1990 em diante.¹

A Moorland Mousie Trust, organização dedicada à raça, mantém pôneis trabalhando na conservação da paisagem britânica.
O National Trust, maior organização de preservação de patrimônio natural e histórico do Reino Unido, a RSPB, a sociedade britânica de proteção às aves, e vários Wildlife Trusts regionais também empregam Exmoors em suas reservas naturais.

Em 2015, um grupo de Exmoors foi exportado para a República Tcheca como parte de um programa de reintrodução em Milovice, uma reserva natural localizada a cerca de 30 km a nordeste de Praga, onde a população cresceu de forma consistente. É o mesmo modelo usado com sucesso em reservas naturais britânicas, e semelhante ao que o Konik polonês já faz há décadas em reservas naturais da Europa continental: o pônei primitivo como ferramenta de gestão ecológica.¹

A situação atual

Hoje existem aproximadamente 2.000 Exmoors no mundo, com não mais de 500 no próprio Exmoor.² ⁴

O RBST classifica a raça como "Endangered", em risco (Categoria 2), o que indica situação grave. É, porém, uma melhora em relação ao status anterior de "Priority" (Categoria 1), a categoria mais crítica da classificação britânica.

As fontes divergem sobre o número exato de éguas reprodutoras ativas, com estimativas entre 200 e 500 dependendo do período e da fonte consultada.
A Exmoor Pony Society apoiou um projeto de sequenciamento completo do genoma da raça. O sequenciamento do genoma é o mapeamento completo do DNA de um organismo: permite identificar quais animais são geneticamente mais distantes entre si e, portanto, mais valiosos para cruzamentos que evitem consanguinidade.¹

O objetivo é orientar os programas de acasalamento com precisão científica, em vez de depender apenas de registros genealógicos escritos.

Todo outono acontece o gather, a reunião anual dos rebanhos semi-selvagens nas colinas. Os criadores e avaliadores credenciados pela Exmoor Pony Society percorrem o moor, reúnem os rebanhos e inspecionam os potros nascidos naquele ano.¹

Os aprovados recebem a marca da estrela de cinco pontas no quarto traseiro e um número de identificação. Os que não ficam no moor são encaminhados como pôneis de família, de competição ou de pastoreio de conservação em reservas naturais.

Curiosidades

A neve que não derrete no dorsoO pelo de inverno do Exmoor é tão eficiente como isolante que a neve se acumula no dorso do animal sem derreter. Isso é resultado de duas camadas de pelo: uma interna macia e uma externa graxenta que direciona a água para fora. Em cavalos com isolamento menos eficiente, o calor corporal derrete a neve, que então congela novamente, criando uma camada de gelo que pode causar hipotermia. No Exmoor, isso praticamente não acontece.
O único pônei sem brancoO Exmoor é o único pônei das ilhas britânicas cujo padrão racial não aceita marcações brancas em nenhuma parte do corpo. Qualquer mancha branca, por menor que seja, desqualifica o animal para registro no stud book. Essa exigência é considerada indicador de pureza: as marcações brancas foram introduzidas historicamente por cruzamentos com raças de origem diferente.
O número que fica marcado na peleCada Exmoor registrado recebe uma marca a fogo no quarto traseiro, a parte posterior do corpo do animal: uma estrela de cinco pontas acima do número do rebanho ao qual pertence, e abaixo o número individual do animal. Esse sistema de identificação existe desde a fundação da Exmoor Pony Society em 1921 e permite rastrear a linhagem de qualquer exemplar registrado até os rebanhos originais do século XIX.
As pinturas de Lascaux e o "olho de sapo"A aparência do Exmoor, com as marcações claras ao redor dos olhos e do focinho, é semelhante às representações de equinos nas pinturas rupestres de Lascaux, na França, datadas de cerca de 17.000 anos atrás. Essa semelhança alimenta a narrativa da origem pré-histórica da raça, embora a genética não confirme continuidade direta. O que é fato é que a pigmentação ao redor dos olhos, chamada de "olho de sapo", é uma característica primitiva presente em poucos equinos modernos e é critério obrigatório de registro no stud book.
Olympia e o Mountain and Moorland ChampionshipEm 2003, a égua Stowbrook Jenny Wren tornou-se o primeiro Exmoor a vencer o Mountain and Moorland Championship em Olympia, o mais importante concurso equestre coberto do Reino Unido. O M&M Championship avalia pôneis e cavalos de raças nativas britânicas. Em 2013, oito Exmoors classificaram-se para o campeonato equivalente no Horse of the Year Show, a principal exposição equestre do Reino Unido.
O zoológico como última cartadaEm 1948, com a população do moor devastada pela guerra, dois pôneis Exmoor foram enviados ao Zoológico de Londres. O objetivo não era exibição: era chamar atenção do público e da imprensa para o que estava acontecendo com a raça. Foi um gesto que refletia o desespero da situação, a consciência de que a reconstrução dependia de suporte público e de que palavras não estavam sendo suficientes para comunicar a gravidade do colapso.

Ficha técnica

NomePônei Exmoor / Exmoor pony
OrigemExmoor, sudoeste da Inglaterra, Reino Unido
Primeiros registros escritosDomesday Book, 1086
Stud bookExmoor Pony Society, fundada em 1921. Stud book fechado em 1962.
Altura114–130 cm na cernelha (máx. 127 cm éguas, 130 cm garanhões)
Pelagens aceitasCastanho, baia, alazã-acinzentada. Sem marcações brancas.
Marcação obrigatóriaMealy ao redor do focinho, olhos e flancos. "Olho de sapo" obrigatório para registro.
TemperamentoDesconfiado em animais semi-selvagens; dócil e inteligente em domesticados desde jovens.
AptidãoMontaria (crianças e adultos de pequeno porte), atrelagem, competição, pastoreio de conservação
Status RBSTEm risco ("Endangered", Categoria 2)
Pop. mundialAproximadamente 2.000, dos quais não mais de 500 no próprio Exmoor
Mínimo histórico50 animais em 1945, com 2 a 6 garanhões reprodutores sobreviventes
IdentificaçãoMarca a fogo: estrela de 5 pontas + número do rebanho + número individual
O Exmoor é adequado para adultos ou só para crianças?

Apesar do tamanho pequeno, o Exmoor carrega adultos de pequeno porte sem dificuldade. É usado como pônei de família, montaria para crianças e jovens, e também em atrelagem e competições de longa distância. A força em relação ao tamanho é uma das características mais documentadas da raça.

O que é o gather e quando acontece?

É a reunião anual dos rebanhos semi-selvagens, realizada todo outono. Os potros são inspecionados, identificados com a marca da estrela e um número, e parte deles encaminhada para novos donos como pôneis de família, competição ou pastoreio de conservação. É o momento em que a condição dos animais é avaliada antes do inverno. A tradição existe há séculos e continua sendo o coração da relação entre os criadores e os rebanhos de moorland.

O Exmoor existe fora da Grã-Bretanha?

Sim. Há criações registradas em vários países europeus. Em 2015, um grupo foi exportado para a República Tcheca como parte de um programa de reintrodução em Milovice, onde se reproduziu com sucesso. A Exmoor Pony Society registra pôneis no Reino Unido, Europa e América do Norte.

O Exmoor descende diretamente de cavalos selvagens pré-históricos?

É uma das perguntas mais debatidas sobre a raça. A hipótese popular diz que sim, e a aparência do Exmoor, semelhante às pinturas rupestres de Lascaux, alimenta essa narrativa. Mas estudos genéticos indicam que equinos desapareceram completamente do registro arqueológico britânico no final do Mesolítico. Os Exmoors modernos descendem de cavalos domésticos introduzidos pelos Celtas, não de uma linhagem ininterrupta de animais selvagens. A estabilidade de tipo ao longo de séculos, no entanto, é verificável e notável.

Por que o stud book foi fechado em 1962?

Para garantir que apenas animais de pais registrados pudessem ser incluídos, preservando a integridade genética da raça. Antes disso, havia risco de que cruzamentos com outras raças diluíssem as características originais do Exmoor. O fechamento foi determinado por legislação do governo britânico que passou a reger os equinos registrados.

Quantos Exmoors existem hoje no mundo?

Aproximadamente 2.000, com não mais de 500 no próprio Exmoor. O RBST classifica a raça como em risco ("Endangered", Categoria 2), o que indica situação grave mas representa uma melhora em relação ao status anterior de "Priority" (Categoria 1), a categoria mais crítica da classificação britânica de raças ameaçadas.

Fontes

  • Exmoor Pony Society. História oficial, programa de conservação e stud book. Consultado em abril de 2026. Disponível em: exmoorponysociety.org.uk.
  • Rare Breeds Survival Trust. Exmoor Pony — status de conservação Endangered, Categoria 2. Consultado em abril de 2026. Disponível em: rbst.org.uk.
  • The Livestock Conservancy. Exmoor Pony — história, Mary Etherington e população. Consultado em abril de 2026. Disponível em: livestockconservancy.org.
  • Moorland Exmoor Pony Breeders Group. Aproximadamente 2.000 animais no mundo, máximo 500 no moor, Categoria 2 RBST. Consultado em abril de 2026. Disponível em: mepbg.co.uk.
  • Exmoor Pony Trekking / Edinburgh University. Mary Etherington, James Speed, casamento em 1953, garanhões reprodutores pós-guerra. Consultado em abril de 2026. Disponível em: exmoorponytrekking.co.uk.
  • Wikipedia. Exmoor pony — dados genéticos, altura, status RBST. Consultado em abril de 2026. Disponível em: en.wikipedia.org/wiki/Exmoor_pony.
André Ferreira

André Ferreira

André é o responsável atual pela condução editorial e estratégica do Multicavalos, um portal voltado ao universo equestre. Entusiasta do ramo, André dedica-se ao estudo e à observação do setor, buscando compreender suas práticas, rotinas, desafios e evoluções.